Split Payment com Emerson Smaniotto: como funciona o novo modelo da Reforma Tributária

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A Reforma Tributária não representa apenas uma mudança na forma como as empresas calculam seus impostos. Além das novas regras para IBS e CBS, o sistema também introduz mecanismos que podem alterar a própria dinâmica financeira das operações. Entre eles, está o split payment, modelo que merece atenção porque aproxima o momento do pagamento da operação comercial do recolhimento dos tributos.

Na prática, isso significa que parte do valor pago por uma venda poderá ser segregada automaticamente e destinada ao recolhimento do IBS e da CBS. Portanto, o empresário precisará olhar para a questão tributária também sob a perspectiva do fluxo financeiro, da tecnologia e dos processos internos.

A própria Lei Complementar nº 214/2025 estabelece o recolhimento na liquidação financeira como uma das modalidades de extinção dos débitos de IBS e CBS. Além disso, a regulamentação prevê procedimentos específicos para a vinculação entre documentos fiscais e transações de pagamento.

Para Emerson Alex Smaniotto, sócio-fundador da Expande, a principal preocupação das empresas não deve ser apenas entender a nova regra, mas antecipar seus impactos. “Quando a tributação passa a conversar diretamente com o pagamento, qualquer falha de cadastro, documento ou processo financeiro pode ganhar uma dimensão muito maior dentro da operação”, explica.

A Expande, escritório contábil localizado em Dois Irmãos/RS e que atende empresas de todo o Brasil, acompanha essas transformações por meio de uma atuação baseada em contabilidade consultiva, contabilidade estratégica e consultoria empresarial.

O que é o split payment e por que ele foi criado

Antes de entender os impactos para as empresas, é importante compreender o conceito.

O split payment pode ser entendido, de maneira simplificada, como um mecanismo de segregação do valor dos tributos no momento da liquidação financeira de uma operação. Assim, em determinadas transações, o valor correspondente ao IBS e à CBS será separado do pagamento destinado ao fornecedor e recolhido aos respectivos órgãos.

Uma mudança na relação entre venda e tributo

No modelo tradicional, a empresa realiza a venda, recebe o pagamento e posteriormente calcula e recolhe os tributos devidos conforme as regras aplicáveis.

Com o split payment, entretanto, o recolhimento passa a estar diretamente conectado à liquidação financeira.

A Receita Federal já apresenta a Reforma Tributária como uma transformação que exige adaptação dos documentos fiscais e dos sistemas das empresas. Desde 1º de janeiro de 2026, os contribuintes passaram a ter obrigações relacionadas ao destaque de IBS e CBS nos documentos fiscais eletrônicos, conforme as regras e leiautes aplicáveis.

Além disso, em 2026 a Receita Federal e o Comitê Gestor do IBS avançaram na estrutura tecnológica do mecanismo. O Ato Conjunto RFB/CGIBS nº 2/2026 autorizou a publicação do Manual de Integração e do Swagger da solução para a Plataforma Pública do Split Payment, justamente para permitir o desenvolvimento das soluções pelos participantes envolvidos.

Portanto, o tema já deixou de ser uma discussão distante sobre o futuro da tributação.

Como funcionará o recolhimento automático dos tributos

O funcionamento do split payment reforma tributária envolve diferentes participantes. O processo precisa conectar a operação comercial, o documento fiscal e a transação de pagamento.

De acordo com a legislação, os prestadores de serviços de pagamento eletrônico e as instituições operadoras de sistemas de pagamento terão participação na segregação e no recolhimento dos valores correspondentes ao IBS e à CBS.

Documento fiscal e pagamento precisam conversar

Esse ponto merece atenção especial.

Para que o mecanismo funcione corretamente, as informações da operação precisam permitir a vinculação entre o documento fiscal e a transação financeira. Dessa forma, o sistema consegue identificar os valores relacionados aos tributos.

Consequentemente, empresas que ainda trabalham com cadastros desatualizados, classificações inconsistentes ou processos financeiros pouco integrados terão mais dificuldade para acompanhar a nova dinâmica.

A legislação também prevê um procedimento simplificado, no qual os valores do IBS e da CBS podem ser calculados com base em percentual preestabelecido do valor das operações, observadas as condições regulamentares.

Por isso, não existe uma única experiência de split payment para todas as empresas. O funcionamento dependerá das regras aplicáveis à operação, dos instrumentos de pagamento e da regulamentação.

split payment emerson smaniotto

Quais impactos o split payment terá no fluxo de caixa das empresas

O impacto financeiro talvez seja uma das questões que mais merecem atenção dos empresários.

Isso acontece porque o split payment modifica a maneira como o dinheiro recebido pela empresa se movimenta no momento da liquidação.

O valor recebido pode mudar de composição

Imagine uma empresa que realiza uma venda de R$ 100 mil. No modelo tradicional, o pagamento pode chegar integralmente à conta da empresa, enquanto os tributos são tratados posteriormente conforme o regime aplicável.

Com a segregação prevista pelo novo modelo, entretanto, parte dos valores poderá ser direcionada ao recolhimento dos tributos no momento da liquidação financeira.

Consequentemente, o empresário precisará considerar essa dinâmica no planejamento do caixa.

Isso não significa simplesmente que a empresa receberá menos dinheiro. Significa que a disponibilidade financeira e a composição do recebimento precisarão ser analisadas de uma maneira diferente.

Por isso, o fluxo de caixa empresarial ganhará ainda mais importância durante a transição.

Capital de giro merece atenção

Empresas que trabalham com margens apertadas ou prazos financeiros longos precisarão observar cuidadosamente o impacto da nova dinâmica sobre o capital de giro.

Além disso, operações parceladas exigirão atenção específica. A legislação determina que, nas operações com pagamento parcelado pelo fornecedor, a segregação e o recolhimento do IBS e da CBS ocorram proporcionalmente à liquidação das parcelas.

Assim, a gestão financeira precisará acompanhar não apenas quanto a empresa vende, mas também quando recebe e como os tributos serão tratados em cada etapa.

Emerson Smaniotto resume essa mudança de perspectiva da seguinte forma: “O empresário precisa começar a enxergar o tributo dentro do fluxo financeiro da operação. Não basta saber quanto vendeu. É preciso entender quanto efetivamente estará disponível para a empresa e em que momento.”

Como preparar sistemas e processos para o novo modelo

A adaptação ao split payment não começa quando o mecanismo estiver plenamente implementado.

Na verdade, a preparação precisa acontecer antes, porque a empresa dependerá de processos confiáveis para conectar suas informações fiscais e financeiras.

Cadastro e emissão fiscal

O primeiro passo consiste em revisar os cadastros utilizados pela empresa.

Produtos, serviços, operações, clientes, fornecedores e regras tributárias precisam estar corretamente parametrizados. Afinal, uma informação incorreta na origem pode gerar problemas nas etapas seguintes.

Além disso, os sistemas emissores de documentos fiscais precisam acompanhar as mudanças relacionadas ao IBS e à CBS.

Em 2026, algumas especificações técnicas relacionadas ao split payment já estão sendo preparadas para os diferentes documentos fiscais. Entretanto, a definição da obrigatoriedade de uso em produção depende dos instrumentos regulatórios correspondentes.

Integração entre contabilidade e financeiro

Outro ponto essencial será aproximar departamentos que muitas vezes trabalham de maneira isolada.

O setor financeiro precisa conversar com a contabilidade. Da mesma forma, o sistema de emissão fiscal precisa conversar com os meios de pagamento e com os controles internos.

Por isso, a contabilidade consultiva ganha relevância durante a Reforma Tributária.

O contador deixa de atuar somente depois que a operação acontece e passa a ajudar a empresa a estruturar processos capazes de reduzir erros e melhorar a qualidade das informações.

Principais desafios da adaptação ao split payment

A implantação de um novo modelo de recolhimento naturalmente gera desafios.

Entretanto, o maior risco não está apenas na tecnologia. Muitas vezes, o problema começa em processos internos que já apresentavam falhas antes da mudança tributária.

Informação incorreta pode gerar impacto financeiro

Uma classificação fiscal inadequada, um cadastro desatualizado ou uma divergência entre nota e pagamento pode comprometer a correta identificação da operação.

Por isso, a empresa precisa trabalhar com informações consistentes.

Além disso, será necessário acompanhar conciliações e verificar se os valores financeiros e tributários estão correspondendo ao que foi efetivamente realizado.

Outro desafio envolve a adaptação dos sistemas de gestão.

Empresas que utilizam softwares antigos ou pouco integrados podem precisar revisar suas soluções tecnológicas para acompanhar as novas exigências.

Por isso, antecipar testes e ajustes pode representar uma vantagem competitiva.

Como a Expande prepara empresas para as mudanças da Reforma Tributária

A Reforma Tributária exige uma visão que ultrapassa o cálculo dos impostos. Afinal, mudanças em IBS, CBS e mecanismos como o split payment podem afetar processos fiscais, financeiros, tecnológicos e comerciais.

Nesse cenário, a Expande atua como parceira estratégica de empresas que precisam compreender os impactos da transformação tributária.

Com sede em Dois Irmãos/RS e atendimento em todo o Brasil, a Expande une contabilidade, consultoria e análise financeira para ajudar empresários a tomar decisões com mais segurança.

A proposta não consiste apenas em acompanhar a legislação. O trabalho também envolve analisar processos, identificar pontos de atenção, revisar informações e orientar a empresa diante das mudanças que estão acontecendo.

Como explica Emerson Alex Smaniotto, “a Reforma Tributária precisa entrar na pauta da gestão. Quem esperar a mudança chegar para depois organizar processos, sistemas e números poderá enfrentar custos que poderiam ter sido evitados.”

Por isso, preparar a empresa para o split payment significa começar pela qualidade das informações. Em seguida, significa revisar processos fiscais, integrar o financeiro à contabilidade e compreender como o novo modelo pode influenciar o fluxo de caixa.

A Expande, escritório contábil em Dois Irmãos/RS que atende empresas de todo o país, pode ajudar sua empresa a atravessar essa transformação com planejamento, análise e estratégia. Entre em contato com a equipe e descubra como a contabilidade consultiva e estratégica pode preparar o seu negócio para a Reforma Tributária e para uma nova realidade de gestão financeira.